Notícias
 
Nova norma ASME PTC 19.3 TW 2010
 

A tão esperada recomendação para construção e fabricação de poços ASME PTC 19,3 TW-2010 é uma versão melhorada da ASME PTC 19.3-1974 e estabelece as considerações de design prático para instalações de poços na tubulação de alimentação e de processo. Essa nova versão da norma incorpora as últimas teorias em áreas de freqüência natural: a freqüência de desprendimento de vórtices de uma estrutura em um fluxo uniforme e ressonância em linha e avaliação de estresse.

Atendendo as demandas do setor e buscando normatizar um conjunto mais abrangente, a ASME efetuou as seguintes melhorias em relação a edição 1974:

• A cobertura expandida para a geometria da haste do poço; ASME PTC 19.3 tem sido o padrão utilizado para construção das hastes dos poços usinados aplicados em tubulação nas plantas industriais. Desde seu lançamento, a norma tem sido muito bem sucedida na indústria. A nova e expandida recomendação desta edição da ASME PTC 19,3 TW foi desenvolvida por usuários finais e fabricantes após análise de décadas de dados da indústria. Essa investigação tornou a ASME a autoridade mundial em matéria de segurança e nova concepção para fabricação de poços de proteção para elementos sensores de temperatura.

Esta norma é destinada aos projetistas de plantas com aplicação de tubulação, engenheiros de instrumentação, projetistas de instrumentos, engenheiros de fábrica, engenheiros de segurança da fábrica, engenheiros de processo, fabricantes de poços, fabricantes de instrumentos, departamento de vendas, ou especificações de projetos das agências reguladoras.

 
Poço - Proteção para Sensores de Temperatura
 
O Poço deve ser adequadamente projetado e especificado para suportar a pressão, a temperatura, a velocidade, a vazão e o estresse do seu ambiente de operação.

Com o aumento de desempenho das plantas industriais, os usuários devem estar cientes de todas as normas pertinentes à construção de poços de proteção para sensores de temperatura a fim de proteger a planta contra falhas potencialmente desastrosas.

O poço é o receptáculo a prova de pressão projetado para proteger os instrumentos de medição de temperatura das severas condições dos processos. Quando é feita a instalação de um poço em um tubo de processo no sentido vertical, cria-se uma barreira contra o fluxo e se o Poço não estiver bem calculado e construído, o processo pode sofrer inúmeros danos. Portanto, é fundamental que as bainhas sejam especificadas e fabricadas corretamente para que possam suportar pressões e resistências mecânicas e atender quaisquer processos para os quais tenham sido desenvolvidas, tais como ambientes corrosivos ou erosivos.

A primeira preocupação é, obviamente a pressão e, para tanto recorremos às normas internacionais: ASME VIII (Americana) e PD 5500 (Européia), as quais estabelecem normas claras para instalação e construção de vasos sob pressão.

É recomendável que os usuários finais especifiquem os poços e os adquiram de fabricantes respeitáveis, tendo assim a garantia de que as normas corretas na fabricação foram plenamente cumpridas.
  
As conexões desses poços no processo industrial
  
Os poços são geralmente fixados aos vasos e tubos utilizando um flange. A ASME VIII refere-se a ANSI B16.5, quando se trata de definir o padrão para conexões flangeadas.

A Norma ANSI B16.5, por sua vez depende de outras normas para especificar os tipos de materiais que podem ser utilizadas, tais como ASTM A182 para os aços austeníticos A105, Alloy, Monel, e outras ligas recém criadas, visando a durabilidade e a eficiência de aplicação ao processo.

Estas normas de materiais são complexas, mas um dos principais pontos a se notar é que, ao contrário das hastes, o flange não deve ser fabricado a partir de barras. Deve ser fabricado a partir de chapa ou material forjado a quente. É comum a utilização de barras forjadas a partir de 4 polegadas e fatiadas na medida da espessura do flange. A rastreabilidade dos materiais inicia na sua fabricação. Um certificado confiável de matérias primas descreve as propriedades químicas e mecânicas de todo o material fornecido por uma fábrica, e qualquer fabricante, com boas práticas de engenharia e um sistema de qualidade de implementado pode rastrear todo o material até sua fabricação.

Qualquer flange fabricado e fornecido segundo a especificação ASME deve apresentar sinetado em baixo relevo: o tamanho do flange, a classificação de pressão e o acabamento da face.
 
Solda do Flange com a Haste
 
Naturalmente, as normas de materiais são apenas parte da história. O Poço é fabricado e algumas de suas partes será soldada, caso em que ASME VIII refere-se a norma de soldagem ASME IX.

Neste processo de solda é necessário a qualificação do soldador e do processo de soldagem, documentos elaborados a partir de certificação das amostras soldadas e dos processos de solda, o qual tem o aval de um engenheiro qualificado para executar esta tarefa.

Para cada material especifico e material dissimilar em uma montagem do flange e da haste é necessário um procedimento de solda e uma qualificação do soldador, assim um único procedimento e qualificação não tem validade para todos tipos os aços.
 
O esforço mecânico
 
A pressão não é o único desafio físico para os poços. Em certas situações, existem tensões mecânicas no comprimento do poço e passagem de fluido por ele e nesse caso, são necessárias outras providencias para a sua construção. É bastante fácil de calcular as forças estáticas que são exercidas pela massa de impacto líquido sobre a haste, mas taxas mais altas de fluxo na haste criam se o fenômeno de vortex, conhecidos como vórtices de Von Karmen. Representam um perigo real, se a freqüência de desprendimento se aproxima da freqüência de ressonância da haste.
 
Os cálculos atualizados pela ASME PTC 19.3 TW 2010
 
ASME PTC 19.3TW - 2010 é o padrão aceito para a análise da freqüência de ressonância dos poços e fornece também um método para calcular a freqüência induzida

A norma recomenda uma margem de segurança para que a freqüência induzida não seja superior a 80% da freqüência ressonância do poço. Em processos críticos de segurança, este percentual não deve ultrapassar um valor entre 25 e 30%, especialmente se as conseqüências de qualquer falha tendem a ser de suma importância na segurança da planta.

Outro fator a ser considerado é o local de aplicação dos poços: quando estes são instalados em zonas de segurança máxima e em locais onde a ruptura possa despejar no ambientes produtos inflamáveis, corrosivos ou venenosos, ou seja, locais em que a ruptura de um poço possa causar um desastre imensurável, os valores devem estar adequados a percentuais da segurança desejada.

Algumas aplicações tem maior risco provocado pela freqüência induzida por vórtice do que outros. Se a taxa de fluxo de fluido é elevada e o efeito de amortecimento do fluido é baixo (principalmente os gases) é interessante efetuar o cálculo baseado na norma ASME PTC 19.3. Se os cálculos demonstrarem que a sua construção não suportaria o processo, existem outras possibilidades na geometria de sua construção.

A Geometria desempenha um papel fundamental: um poço mais curto ou hastes com diâmetro mais grosso podem ser uma solução.

Os colares construídos na bainha também podem alterar a freqüência de ressonância da bainha. Nestas formas construtivas, o encaixe da haste tem a medida com pouca folga no tubo perpendicular do processo onde está se instalando o poço e a desvantagem desta construção é que os colares de velocidade podem ter um custo elevado.

Um fornecedor deve ser capaz de realizar os cálculos necessários para garantir que um poço é seguro para uso. O usuário ou projetista deve fornecer informações sobre o liquido, incluindo a temperatura e pressão, o volume específico, a velocidade, densidade, diâmetros interno e externo do tubo de processo e o diâmetro do tubo de derivação em seu diâmetro interno.

O tubo de derivação deve ser sempre em costura para prover todas as formas construtivas do poço.
 
A construção do poço não deve ser uma preocupação
 
Os sensores de temperatura e seus poços de proteção fazem parte integrante de uma planta. Estes equipamentos, alem de fundamentais no controle a que se propõe, enfrentam diariamente algumas das condições mais difíceis encontradas na indústria. Nas aplicações, especialmente nos setores de petróleo e gás, as conseqüências de um projeto mal executado seriam desastrosas, por isso vale a pena ter todo cuidado na escolha de seu fornecedor e exigir a garantia de que todas as normas de fabricação destes equipamentos sejam plenamente cumpridas.
 
Veja também:
  Livro "Válvulas Industriais"
  Válvulas de Segurança" - Editorial mais consultado